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Ter fé é o desafio de mantê-la viva enquanto ainda se está no chão em que havia o tapete puxado por quem agora sorri alheio, enquanto você ainda busca forças para se erguer do tombo.

Ter fé é manter a confiança numa Justiça que, aos seus olhos, não apenas tarda como sequer ainda deu sinais de existência. É resistir à vingança, que é a negação da própria fé, a qual pode significar um novo jugo, não obstante seu sangue esvaindo, tal as lágrimas, em decorrência da queda.

Ter fé é encontrar uma resignação que, ainda por cima, lhe imputa um grau de responsabilidade sobre o próprio infortúnio.

(Ter fé, aliás, é não considerar um infortúnio).

Ter fé é erguer o tronco e vislumbrar a subida, que só é possível tendo o perdão como apoio.

Ter fé é conseguir se reerguer e, em seguida, ter a capacidade de pisar no mesmo tapete e de estar preparado para uma nova queda, sabendo que dela irá se erguer…

…Desde que tenha fé.

Um Aviso

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Veio na melancolia
De um história interrompida
E trouxe uma chama
Uma coisa desconhecida.
Dúbio acanhamento
Trouxe o novo, o inesperado
Por dentro, gritando desejo
Por mim nunca vivenciado.
É menina, é mulher
Numa estranha sintonia
Requer compreensão, requer afeto,
Seu coração quer harmonia.
Cada momento lhe é marcante
É feliz em um segundo
Não quer muito da vida
Quer só ir mais a fundo.
Tem brilho, tem ardência,
Tem tudo o que se espera,
Muito mais ela oferece:
Uma chegada de primavera.
O desabrochar já chegou
A alegria será recorrente
Veja o horizonte agora
Que surge à sua frente.
A ansiedade é sua inimiga
Quero lhe dar um aviso:
Tenha jeito, tenha calma,
A precipitação mina o sorriso.

A jornalista doente

Muitas críticas, algumas delas sensatas, foram feitas sobre a vinda dos médicos cubanos, mas a mais emblemática foi a dessa jornalista que disse que as médicas têm caras de empregadas domésticas (ler aqui).

Emblemática por ter vindo de uma profissional da comunicação e pela escolha da referência (empregadas domésticas) para desqualificar a competência profissional de médicas.

É impactante imaginar o quão simplório é o raciocínio de uma jornalista que, além de assim pensar, tem coragem de soltar isso publicamente. E, como se não bastasse, ainda reforça na pseudo-retratação, onde ela diz que não foi preconceituosa, que a aparência conta, sim.

Se para a jornalista a competência de médicos é posta em dúvida tão somente por se assemelharem a trabalhadores domésticos, é natural que nós também duvidemos da competência dela como profissional da notícia. Afinal, médicos não precisam ser modelos de passarela para clinicar, mas para formar opiniões através de textos, jornalistas têm a obrigação de terem o mínimo de substância intelectual.

E, afinal, qual seria o problema com a aparência das empregadas domésticas para essa jornalista de cutis clara? Doente, ela precisa se tratar urgente, mas tomara que não seja com médicos cubanos, pois a missão deles no Brasil é salvar gente.

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Débora Secco como Irmã Dulce

ImagemDéborah Secco me agrada como atriz ou não tenho nada demais para falar contra ela. Já a vi fazendo drama e humor muito bem. Algo que não sei avaliar se é bom ou ruim é que ela não tem preconceitos – isso é o mínimo que se pode dizer de uma atriz bem sucedida que aceita interpretar Joelma do Calypso.

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Secco é uma operária do seu ofício, pois está sempre no batente, emendando um trabalho atrás do outro, sem ligar se isso causará um desgaste de sua imagem. A gente sente que ela ama o que faz. Além disso, ela entrega-se aos personagens sem pudores, sem frescuras. Ainda não a vi fazendo um papel que maculasse sua vaidade física, mas acho, por exemplo, que ela não criaria problemas para ficar careca por causa de um personagem.

Mas, infelizmente, ela se submete ao que os realizadores lhe apresentam. Aceita tudo. Acho que se a chamarem para interpretar Anderson Silva, ela aceitará. Com essa falta de critérios, ela acaba se repetindo tanto na TV como no cinema. Na TV, quase sempre intepreta piriguetes, embora ela tenha potencial para outros desafios. Já no cinema, ela tem feito “biografias”: Bruna Surfistinha, Joelma e agora Irmã Dulce.

Se eu fosse o produtor do filme sobre Irmã Dulce, pensaria mais uma vez no caso, mas não por Débora Secco não ser talentosa, mas porque background dela tem ruídos demais para um papel como esse.

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Uma droga de discussão

Uma matéria no Fantástico mostra como é fácil consumir maconha na Califórnia para fins medicinais, e exibiu a declaração de um médico que contesta tanta liberalidade, já que a erva vicia e estudos apontam que ela está relacionada ao câncer e doenças mentais.

Ok. Mas cigarro e álcool também não viciam? Também não causam doenças (câncer entre elas)? Observando o comportamento de um alcoólatra não se pode dizer que de alguma maneira ele sofre de doença mental? E os dependentes de outras drogas farmacêuticas?

Alega-se que a legalização pode deteriorar a sociedade. Ok. Mas o que faz o tráfico de drogas, que se beneficia dessa proibição? Quanta gente morre por causa por da violência oriunda do tráfico?

Ainda sobre deterioração da sociedade, o que dizer dos acidentes de trânsito causados pelo consumo de álcool com suas propagandas sedutoras repletas de mensagens que sugerem beleza, juventude e bem-viver? Interessante que são ávidas e contumazes patrocinadoras de festas e, interessante, de eventos esportivos.

Obviamente, o uso de maconha ou de qualquer outro tipo de droga, ilícita ou não, não deve ser estimulado. Mas se a legenda “beba com moderação” salvaguarda a consciência etílica da nossa sociedade, por que não se poderia encontrar uma outra solução hipócrita para a indústria da maconha?

Até quando se continuará fingindo que temos instituições capazes de combater o uso de drogas ilícitas? Se existe um potencial econômico com a maconha, qual é a lógica de preferir que o esse dinheiro circule apenas no submundo da criminalidade?

Afinal, em que isso é… BASEADO?

12.504

Tenho estado mais paciente, mas muito mais ciente. Tenho descoberto a importância de ser seletivo, do “não” e do auto-controle. Já me estressei bastante com miudezas que hoje mal as enxergo pelo binóculo das experiências adquiridas. E dessas experiências, concluo: planejar é uma delicada pretensão. Criar expectativas, em geral, é buscar frustrações. Primordialmente. Nada está aqui para satisfazer nossos desejos, por mais que o julguemos legítimos. Pergunte-se, com honestidade, quantas vezes algo realmente significativo saiu exatamente como você planejou. Não minta! E, se quiser saber, às vezes pode ter sido bom que tenha sido assim mesmo. Tenho aprendido, também, que não adianta o desespero, pois, no fim, tudo se ajeita de alguma norma. E se ajeita mesmo. Na verdade, já estão ajeitadas. É que estamos tão focados nas nossas expectativas que não percebemos o que há de bom no presente momento. Estamos sempre projetando no futuro e protelando o bem-viver no que ele tem de mais proveitoso: a sua simplicidade. Não sou desses que optam por uma eterna busca do que, de repente, já está encontrado, e que complicam tudo para depois reclamar da vida. Não. Não quero fazer parte do time que só percebe essas coisas no futuro. Os exemplos estão aí para que não repitamos os velhos erros. Prefiro aprender a acertar cometendo novos erros. Mas tenho meus sonhos – às vezes grandes e altos. Eles não me inquietam, mas me impulsionam. Faço deles meus aliados, não meu cárcere. Porque eu só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder.

Ressignificação

Quando meu pai ia para o trabalho, uma música de Caetano tocava muito nas rádios e, pelo que lembro, isso acontecia quase todos os dias exatamente no mesmo horário em que ele saía de casa. Eu tinha uns três anos e chorava bastante, agarrado à grade do portão enquanto via meu pai sumir das minhas vistas.

“Um amor assim delicado, você pega e despreza”. Ou seja, a música nada tinha a ver com aquela situação, seja porque meu pai de modo algum desprezava meu amor, seja porque a cena tinha outro contexto.

Mas a música me marcou e me acompanhou até os dias atuais, de modo que me sinto triste ou melancólico sempre que, por acaso, a ouço. Não é que eu não goste dela – aliás, acho a mais bonita composição romântica de Caê – mas ficou isso. Não tenho como controlar.

Dia desses, ouvi o CD em que essa música é a primeira faixa. Eu, claro, pulei. A música se ressignificou e já não tem mais sua conotação (nostálgica não seria a palavra) “original”, mas ela tem uma coisa que mete medo. Pela sua grandeza.

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Mas não sou o único culpado. Disso tenho certeza.

Retrovisor – Parte III

retrovisorPara chegar ao destino
Obedeça o guia
O sucesso desse percurso
Não depende de companhia.

A depender da velocidade
Nem sempre se pode parar
Nem mesmo para a brisa
Nem para quem pelo caminho quis ficar.

Mas sempre se pode dar seta
Ao avistar uma placa de retorno
Resta saber se há combustível
Só volte se não avistar transtorno.

 

 

Retrovisor – Parte I

Captura de Tela 2013-03-17 às 13.46.19Há caminhos, há estradas…
Sigo a viagem em qualquer pista
Mas nas curvas ou nas retas
A mesma paisagem é sempre vista.

O que vejo pelo retrovisor
Não dista quando acelero
Mesmo se mudo a direção
Quer passagem quando não espero.

Passo a marcha, chego na quinta
Estou a quilômetros por hora
Vem asfalto, vem horizonte
Mas nada vai embora.